Química ao pé da letra

Há duas dimensões da língua que refletem também, em certo sentido, uma tensão epistemológica da própria química: a denotação e a conotação. A denotação diz respeito ao significado mais preciso e literal, bem em linha com a objetividade que se procura em ciência. A conotação, por sua vez, relaciona-se com o lugar da acumulação, da relação. O sentido da palavra é de tal forma dinâmico que uma palavra ganha algo quando é dita (ou escrita).

ISBN-13: 978-989-746-297-9
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Detalhes do livro:

Título: Química ao pé da letra
Autor: Manuel João Monte, Carla Morais, Martinho Soares, José Luís Araújo, Hugo Vieira, Luciano Moreira
Preço: 12€ 10.80€
Ano: julho, 2021
Edição: 1.ª
Editora: U.Porto Press
Coleção: Transversal
Série: n.º 6
ISBN-13: 978-989-746-297-9
Dimensões: 160mm x 10mm x 225mm
Número de páginas: 180
Peso: 320g
Língua: Português
Tipo de Capa: Mole
Categoria:

Descrição

Há duas dimensões da língua que refletem também, em certo sentido, uma tensão epistemológica da própria química: a denotação e a conotação. A denotação diz respeito ao significado mais preciso e literal, bem em linha com a objetividade que se procura em ciência. A conotação, por sua vez, relaciona-se com o lugar da acumulação, da relação. O sentido da palavra é de tal forma dinâmico que uma palavra ganha algo quando é dita (ou escrita).
As palavras da química são descritas nesta obra de forma breve e de acordo com uma estrutura tripartida: a contextualização da palavra, onde se procura enfatizar a sua relevância social e, sempre que oportuno, as suas relações com outras áreas científicas, com a tecnologia e com o ambiente. Segue-se depois a sua definição científica, pautada pelo compromisso equilibrado entre o rigor e a simplicidade. Por último, procede-se à exemplificação que se traduz na apresentação de aplicações concretas do termo, em situações do nosso dia a dia. Talvez ajude saber que “molécula” pode ter a ver com “monte pequeno” e, daí, voltar a esse agregado com distância típica entre átomos da centena de picómetros. Talvez ajude saber que “substância”, uma palavra tão crucial em química, se pode ligar, no seu filão etimológico, a “estar na base de”, “que subsiste”, “que está dentro”. Regista-se uma cumplicidade analógica entre a química e a palavra, que merece aqui ser sublinhada. Há corpúsculos a que chamamos átomos (quais letras), que se podem agrupar em moléculas e outros agregados (quais palavras), que no seu conjunto originam estruturas mais complexas (quais frases e textos), que constituem a matéria (quais livros), que se transforma e dá vida. E depois há o fascínio e a beleza de como as coisas são… como há na poesia!