Volker Schnüttgen: 35 anos de escultura em movimento

A primeira exposição do ano da Casa Comum da U.Porto apresenta cerca de meia centena de trabalhos, incluindo inéditos, do artista alemão radicado em Portugal.

São 60 anos de vida e 35 de atividade artística resumidos naquela que se apresenta como “a primeira grande exposição de escultura” a visitar os espaços da Casa Comum da Universidade do Porto. Da Pedra: Experiências Técnico-Poéticas de um Escultor oferece uma visão transversal da obra do artista alemão Volker Schnüttgen. A exposição abre portas este sábado, 9 de janeiro, e vai estar patente até 27 de fevereiro, no edifício da Reitoria (Praça Gomes Teixeira).

É a primeira vez que o artista, radicado em Portugal há 30 anos, reúne obras representativas de todo o percurso artístico. E a escolha da Universidade não surge por acaso. Depois de quase uma década de ligação à Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP), primeiro como estudante de mestrado e depois como docente, Volker considera estar no “lugar perfeito para celebrar os 60 anos de idade”.

Nascido em Attendorn, na Alemanha, Volker Schnüttgen terminou a Licenciatura em Artes Plásticas (escultura e gravura) na Universidade de Artes Bremen, em 1989, ano em que visitou Lisboa. A descoberta de um atelier coletivo de escultores em Pêro Pinheiro (Sintra), “um dos lugares mais importantes da indústria transformadora de rochas ornamentais do país”, fez com que o artista se decidisse ficar por terras lusitanas. Queria “aprender uma língua românica”, mas havia já outro fascínio a nascer: as novas ferramentas digitais.

Schnüttgen fez um curso intensivo de modelação e passou a criar maquetas 3D e esculturas virtuais em colaboração com uma empresa metalomecânica. “Sempre gostei de criar esculturas num ambiente com meios industriais. Com a capacidade trabalhar em 3D ganhei uma nova liberdade na utilização da tecnologia CNC o que permitiu a produção das minhas esculturas, tanto na pedra como em metal”.

“A dança é escultura em movimento”

Em 2004, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para uma especialização em tecnologias digitais (modelação, animação 3D e edição de vídeo) permitiu-lhe desenvolver uma residência artística, em Berlim, com um casal de bailarinos e coreógrafos. “Tínhamos um campo de investigação e experimentação comum”. O contacto com a dança contemporânea e a obra de Pina Bausch levaram o artista a concluir que: “a dança é escultura em movimento”. Em 2010, foi-lhe concedido o Fundo Cultural da Capital de Berlim para a produção do projeto “Habitat”, em co-produção com o coletivo de dança LaborGras no Radialsystem V, em Berlim.

A vontade de continuar a “descobrir terras incógnitas e fazer um “upgrade’ tecnológico” encaminharam Volker Schnüttgen para o Mestrado da FBAUP em Arte Multimédia, que viria a concluir em 2008. Acabaria por manter-se ligado à faculdade até 2016, na qualidade de professor convidado.

Para as salas da Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto, Volker Schnüttgen escolheu três séries de trabalhos que representam três décadas. As obras públicas, nomeadamente as  de grande porte, estarão presentes “através de maquetas e fotografias. A sua maioria são de pedra, material que se tornou o fio condutor da obra deste artista que diz ser na floresta que se sente “em casa”.

Tendo crescido “num meio rural de serras e florestas, a pedra e a madeira acompanham-me desde sempre. Em criança transformei pequenas pedras em pó e guardei-o em frascos distintos em qualidade e tonalidade. Pedra e madeira fizeram parte da minha vida mesmo antes de ter dito a primeira palavra. Foram sempre um meio de construir o meu mundo imaginário”, explica o artista.

Foi, de resto, a percorrer as pedreiras que Schnüttgen conheceu o país, começando nas pedreiras de Lioz, em Sintra, a rocha portuguesa que considera estar “mais carregada de história e cultura deste país e que foi levada para todas as terras que tinham presença portuguesa”.

Conheceu também as pedreiras do mármore de Vila Viçosa e Estremoz, Viana do Alentejo e Trigaches (Beja); do granito de Monforte (Alto Alentejo) e, durante quase 10 anos, trabalhou com regularidade a pedreira do Sienito na serra de Monchique. Depois foi a vez da Beira Alta e do Minho.

A primeira grande exposição de escultura

Para Helena Mendes Pereira, curadora da exposição e antiga estudante da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP), o facto de ser uma retrospetiva “diferencia esta de todas as outras exposições já realizadas pelo artista”. Para além disso,  Da Pedra: Experiências Técnico-Poéticas de um Escultor apresenta  “maquetes, estudos e desenhos inéditos” que mostram a “presença do artista no espaço público de quatro continentes”.

Fátima Vieira, vice-reitora para a área da cultura da U.Porto, reforça  que “esta é a primeira grande exposição de escultura patente na Casa Comum”. Referindo-se a Volker Schnüttgen como “um escultor da pedra, com um grande número de obras no espaço público”, a responsável acrescenta que “é particularmente significativo que aos 60 anos, na exposição de consolidação do seu percurso artístico”, o artista “tenha escolhido fazer uma mostra retrospetiva da sua obra na Universidade do Porto, onde estudou e ensinou”.

Volker Schnüttgen já participou em inúmeras exposições e concursos públicos. Desde 1993 que vive e trabalha em Sintra. No dia da inauguração da exposição, serão apresentados um documentário e um livro retrospetivos dos 35 anos de carreira do artista.

Com entrada gratuita, a exposição Da Pedra: Experiências Técnico-Poéticas De Um Escultor abre portas este sábado 9 de janeiro, a partir das 10h00, no edifício da Reitoria da U.Porto (Praça Gomes Teixeira). Depois disso, a exposição pode ser visitada  de segunda a sexta, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30 e sábado das 10h00 às 13h00.

As visitas guiadas deverão ser agendadas através do e-mail [email protected]

 

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