“Pensamento e a teoria” em Nadir Afonso

“Nadir Afonso, Pensamento e Teoria” é o título da segunda mesa redonda. Para o curador de 1oo Anos Nadir, Inéditos, “associar o pensamento e a teoria em Nadir é possibilitar a formulação de uma teoria estético-filosófica muito própria, inovadora, e única – pelo que, e como constatou José-Augusto França, a obra escrita de Nadir Afonso é caso único na bibliografia portuguesa. De facto, quando falamos dos textos escritos de Nadir Afonso falamos naturalmente de textos teóricos, de textos sobre a estética e sobre a arte que têm uma função de dar a conhecer um pensamento absolutamente inovador”.

Por outro lado, explica António Quadros Ferreira, toda a obra escrita e teórica do pintor “tem por missão dar corpo a um desígnio ou sentido de consciência sobre a possibilidade de se pensar a pintura e a arte”.

A teoria nadiriana surge assim com a missão de “possibilitar o fazer falar a pintura”, não para a explicar, mas “para que seja possível entre o dizer e o fazer da obra a instituição de um lugar outro, independente, soberano, e inteligente”. Daí que, remata António Quadros Ferreira, o texto teórico de Nadir não tenha a função de explicar a obra, mas sim, “dizer a ideia fundadora de um fazer (da obra). A teoria nadiriana é já uma espécie de obra maior ou obra segunda da pintura. Obra, contudo, de um pensamento – e o pensamento de Nadir é maior do que a sua obra, e maior do que a sua teoria”

Fizeram parte desta mesa redonda Celina Silva, Professora do Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP) e investigadora em Teoria da Literatura, Teoria da Arte, Estética e Semiótica; Cândido Lima, Professor no Conservatório de Música e na Escola Superior de Música do Porto (foi o primeiro compositor português a utilizar em simultâneo, entre outros meios, computador, eletroacústica e orquestra); Carlos Fiolhais, Professor Catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra e coordenador de vários projetos de investigação e Laura Afonso.