“100 Anos Nadir, Inéditos” está de partida. Aqui fica o “best of”

Exposição de obras inéditas de um dos maiores mestres da pintura portuguesa está patente, até 23 de dezembro, na Reitoria da U.Porto. A entrada é livre.

Da equipa reitoral ao curador da exposição, de elementos da família a artistas da nova geração. Pedimos a pessoas com diferentes ligações à obra de Nadir Afonso e diferentes formações académicas e profissionais que, da exposição 100 Anos Nadir, Inéditos, patente na Casa Comum (Reitoria) da Universidade do Porto, escolhessem a sua obra de eleição e dissessem porquê. Resultados? São geometrias variáveis sobre a obra de um dos maiores artistas portugueses do século XX e um dos mais ilustres antigos estudantes da U.Porto, da qual é Doutor Honoris Causa.

Um Porto Infinito, de 2009, foi uma das obras escolhidas como “a favorita” entre as mais de 100 que podem ser apreciadas na exposição. Pela feliz conclusão da “visão periférica” num centro que é, por si só, “uma amalgama de formas indefinidas”.  Ou seja, o centro da cidade e o seu “emaranhado de casas, formas e cores” que traduz, no fundo, “o que a cidade do Porto é”.

Sem prender os trabalhos do olhar numa obra em específico, houve quem optasse pela eleição de um conceito: “É um trabalho de espírito para o espírito e todas as obras convergem num ponto”. Na essência e no conceito, o artista “passou a vida inteira à volta de um ponto. É um geómetra”.

A pintura animada, ou a Máquina Cinética, de 1956, foi outra das opções. Recorrendo a dois cilindros em movimento, esta obra – a única não inédita em 100 Anos Nadir, Inéditos – resgata e anima o padrão típico do Espacillimité. Um mecanismo que “aproxima a obra do discurso cinematográfico”. Uma peça que nos lembra “que é sempre possível criar realidades novas”.

Outra vez o “Espacillimité”, mas agora o guache, de 1956. Um “guache seminal” que “consolida todo o discurso teórico de Nadir com a Máquina”, mas não só. “É um guache que anuncia já a futura pintura das cidades”.

Pela sugestão de passagem do desenho à pintura, com as diferentes velocidades que estes processos encerram, Lyon, de 2008, foi outra obra que mereceu destaque. Coloca-nos frente-a-frente com “o espetáculo da exatidão”! Perante a composição matemática e geométrica, resta-nos abdicar do esforço de compreensão “apenas pelo intelecto”. Como já o próprio artista dizia, “as formas são sentidas pela sensibilidade e não, necessariamente, compreendidas pela razão”.

Por representar a génese do trabalho que vai desaguar na tela, foi ainda escolhido o conjunto de estudos que está patente na exposição. Trabalhos iniciados nesta, mas que levavam o pintor a dizer que precisava de outra vida para terminar.

Exposição encerra a 23 de dezembro

Para saber quem destacou o quê, basta espreitar o canal YouTube da Casa Comum. Mas o melhor será mesmo visitar a exposição até 23 de dezembro, quarta-feira, para conferir a escolha. Para ajudar, preparámos ainda uma visita guiada virtual.

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=U1c49NxW2fQ[/embedyt]

 

X